Com uma comissão de 28%, um mês de 7.000 € em vendas com entrega passa 1.960 € para a plataforma. Cerca de metade desses pedidos vem de pessoas que já tinham encomendado antes.
É essa a parte que vale a pena mudar. Não a plataforma em si: ela justifica o custo ao encontrar pessoas que nunca ouviram falar de si. O cliente que pede de quinze em quinze dias à sexta-feira não precisa de ser encontrado, e mesmo assim cada pedido dele paga comissão.
O plano abaixo dura 3 meses e termina num número que pode medir.
Antes de começar: dois números
Sem eles, não pode avaliar se o plano funcionou.
- Peso das plataformas nas suas vendas com entrega: que percentagem dos pedidos de takeaway passa por elas. É o seu ponto de partida.
- Quantos clientes da plataforma pedem mais de uma vez. Exporte do painel da plataforma os últimos 3 meses e conte as repetições. É o seu público-alvo: pessoas que já gostam de si e sobre as quais continua a pagar comissão.
Registe ambos. Voltará a eles após 90 dias.
Mês 1: construir o canal para haver onde pedir
Objetivo: o seu canal existe, funciona num telemóvel e pode ser alcançado em três segundos.
Semanas 1–2: uma ementa com pedidos
Precisa de uma página onde o cliente vê a ementa e faz o pedido sem criar conta nem instalar uma aplicação. O mínimo que tem de funcionar:
- ementa completa com preços e fotografias, legível no telemóvel sem zoom;
- carrinho e pagamento online;
- escolha entre recolha e entrega, com limite de entrega gratuita visível;
- horário para pedidos e prazo de espera realista.
No WMenu, é a mesma ementa que os clientes leem pelo código à mesa: basta ativar os pedidos online. Não está a construir um segundo sistema.
Semana 3: preparar as entradas
O cliente tem de chegar aos seus pedidos onde quer que se lembre do restaurante:
- botão «Pedir online» no site, visível sem deslocar a página;
- link no Perfil de empresa no Google, no campo «Pedidos online». É uma das definições mais esquecidas, e é no perfil que mais gente procura o restaurante. Explicamos em adicionar a ementa ao Perfil de empresa no Google;
- link na biografia do Instagram e do Facebook, não na legenda de uma publicação do ano passado;
- código QR na caixa, para clientes que recolhem pessoalmente.
Semana 4: fazer de cliente
Faça 5 pedidos no seu telemóvel, na hora de ponta, incluindo um com entrega. Cronometre da chegada à página até à confirmação. Mais de 90 segundos significa que há algo a corrigir, normalmente registo obrigatório ou um formulário de morada demasiado longo.
Mês 2: dar uma razão para mudar de hábito
O canal não convence ninguém sozinho. O cliente pede onde pediu da última vez.
Um cartão em cada saco de takeaway
É a ação mais eficaz de todo o plano. Um cartão A6 com um código QR e uma frase: «Da próxima vez peça diretamente: o mesmo prazo de entrega, mais [X] por nossa conta.»
Chega às mãos de alguém que acabou de pedir e está satisfeito. Custo: alguns cêntimos por unidade.
Um incentivo que não seja um desconto percentual
Um desconto percentual ensina o cliente a esperar por descontos. Funcionam melhor:
- entrega gratuita a partir de um valor inferior ao da plataforma;
- um extra num pedido direto: bebida, molho ou sobremesa;
- uma oferta ao cliente habitual depois do quinto pedido.
Verifique o contrato. Algumas plataformas incluem uma cláusula de paridade de preços que proíbe preços inferiores no seu canal. Uma oferta em espécie, como uma bebida, costuma não violar a paridade, mas leia a cláusula antes de lançar qualquer promoção.
A equipa tem de falar nisso
Uma frase ao entregar o pedido: «Da próxima vez pode pedir diretamente a nós, o código está no saco.» Sem isso, o cartão é apenas cartolina.
Mês 3: consolidar e medir
Recuperar os clientes da plataforma
Na lista de clientes repetidos, selecione quem pediu pelo menos 3 vezes. Se tiver os dados de forma lícita e em conformidade com o RGPD, pode contactá-los. Caso contrário, resta o cartão no saco, que chega às mesmas pessoas.
Horas em que se desliga da plataforma
Uma opção discutível, mas eficaz: na hora de ponta, quando a cozinha já está no limite, reduza a disponibilidade na plataforma. Os pedidos diretos mantêm-se e os pedidos com comissão deixam de sobrecarregar o passe. Comece com cautela, uma hora à sexta-feira, e observe o total de vendas.
Medição
Volte aos dois números iniciais. Um resultado realista após 90 dias é passar 15–30% dos pedidos com entrega para o seu canal. Com 7.000 € mensais em vendas com entrega e 28% de comissão, são 300–600 € poupados por mês.
Se a mudança for quase nula, a causa é quase sempre uma de três: pedir no seu canal é mais lento do que na plataforma, não há cartão no saco ou a equipa não fala nisso.
O que não fazer
- Não feche a conta da plataforma no primeiro mês. O canal próprio precisa de 60–90 dias para ganhar força; cortar antes significa perder vendas sem substituição.
- Não crie uma aplicação. Ninguém instala a aplicação de um único restaurante. Basta uma página aberta por um link.
- Não obrigue ao registo. Exigir conta antes do primeiro pedido é o ponto mais comum de abandono do carrinho.
- Não prometa um prazo de entrega que não consegue cumprir. Um pedido direto atrasado anula o efeito de dez cartões.
Perguntas frequentes
Posso ter pedidos próprios e plataformas ao mesmo tempo?
Sim, e costuma ser a melhor combinação. A plataforma conquista clientes novos e o canal próprio serve os habituais. Verifique apenas as cláusulas de paridade de preços.
Quanto custa um sistema de pedidos próprio?
Os modelos sem comissão sobre o valor do pedido funcionam com uma subscrição fixa: o custo não cresce com as vendas. Os planos estão na página de preços.
Os clientes vão querer pedir diretamente?
Os habituais, sim, desde que seja igualmente rápido. A vantagem da plataforma é a conveniência e a morada guardada, não a fidelidade à marca da plataforma.
E a entrega, se não tiver estafeta?
Pode começar só com recolha: também nesses pedidos a plataforma cobra a comissão completa. A entrega própria ou por terceiros faz sentido quando o volume de pedidos diretos a justifica.
Em quanto tempo aparecem resultados?
Os primeiros pedidos diretos de clientes recuperados da plataforma costumam aparecer no segundo mês, depois de o cartão chegar a algumas centenas de sacos. Antes disso, são sobretudo pessoas que já conhecem a sala.

