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Comissões das plataformas de entregas: o que chega ao restaurante

07 de agosto de 2026
Uma mochila de entregas e moedas no balcão de um restaurante

A comissão das plataformas é o único custo da restauração que cresce na proporção das vendas e não se consegue baixar: nem com compras em volume, nem com uma cozinha mais bem gerida. Quanto melhor corre, mais se paga.

Este artigo não defende que feche a conta Uber Eats. As plataformas trazem encomendas que não teria de outra forma. O que defende é que saiba quanto custam essas encomendas. Sem esse número, não há decisão possível.

Quais são realmente as taxas

As taxas são negociadas caso a caso. Dependem do país, da cidade, do modelo de entrega e da dimensão do estabelecimento. Os intervalos citados publicamente são estes:

Plataforma Intervalo de comissão Notas
Uber Eats ~15–33% tabela publicada para Portugal: 30% com estafeta da Uber, 20% com entrega própria, 15% na recolha; nas encomendas de membros Uber One, 33% e 23%
Deliveroo ~25–35% modelo semelhante; inferior com estafeta próprio
Glovo ~25–35% varia bastante consoante o mercado
Just Eat Takeaway (Lieferando, Thuisbezorgd) ~13–30% o limite inferior aplica-se à entrega própria

Trate estes valores como ponto de partida para ler o seu contrato, não como uma tabela de preços. A diferença entre o mínimo e o máximo de uma plataforma costuma corresponder a entregar por meios próprios ou usar o estafeta da plataforma.

Acrescem as parcelas que não se chamam comissão, mas reduzem o que sobra:

  • processamento de pagamentos: 1–3% do valor da encomenda;
  • comparticipação nas promoções: um desconto «−20% na primeira encomenda» costuma ser financiado pelo restaurante, não pela plataforma;
  • posicionamento pago: um lugar mais alto na listagem, em teoria opcional;
  • taxas de adesão e equipamento para o tablet, únicas ou mensais.

Uma encomenda de 100 €: o que sobra

Um cálculo simplificado de uma encomenda típica com entrega da plataforma, comissão de 28% e IVA de 10%. O IVA das vendas de restauração varia na UE, por isso substitua pela taxa aplicável ao seu caso antes de tirar conclusões:

  • Portugal: 13% no continente, 12% na Madeira e 9% nos Açores, tanto à mesa como nas refeições prontas para levar ou com entrega ao domicílio (Lista II do CIVA, verbas 3.1 e 1.8); refrigerantes, sumos, néctares e bebidas alcoólicas pagam a taxa normal, 23% no continente;
  • Espanha: 10% à mesa e nas refeições preparadas para levar ou entregar;
  • França: 10% no local e nas refeições para consumo imediato levadas ou entregues, 20% no álcool;
  • Alemanha: 7% na comida desde 1 de janeiro de 2026, no local e para levar; bebidas a 19%;
  • Países Baixos: 9% na comida, 21% no álcool.
Parcela Valor
Encomenda bruta 100,00 €
IVA 10% −9,09 €
Base líquida 90,91 €
Comissão da plataforma, 28% do bruto −28,00 €
Processamento de pagamentos ~2% −2,00 €
Sobra para cobrir custos ≈ 60,91 €
Custo dos ingredientes, 30% do líquido −27,27 €
Embalagem −4,00 €
Margem bruta desta encomenda ≈ 29,64 €

A mesma venda na sala, sem comissão nem embalagem, deixa cerca de 63 €. Uma encomenda de plataforma vale, portanto, aproximadamente metade de uma feita no estabelecimento, com a mesma carga de trabalho para a cozinha.

Se essa encomenda incluir também um desconto de 20% financiado pelo restaurante, a margem bruta desce para cerca de 10 €. A essa altura, a cozinha trabalha só para pagar os custos.

Quando a plataforma ainda compensa

Há situações em que 28% é um bom preço.

  • Conquistar um novo cliente. A plataforma é um canal de aquisição. Se 3 das primeiras 10 encomendas voltarem depois pelo canal direto, a comissão dessas 10 foi um custo de marketing, e barato.
  • Preencher horas mortas. Terça-feira, 15:00, cozinha parada. Uma encomenda com 30 € de margem é melhor do que nenhuma.
  • Não ter logística própria. Contratar um estafeta faz sentido acima de determinado número de encomendas diárias. Abaixo desse limiar, o da plataforma é mais barato.
  • Um estabelecimento novo. Antes de as pessoas o conhecerem, a plataforma compra-lhe uma visibilidade que, por esse dinheiro, não teria em mais lado nenhum.

O problema começa quando a plataforma deixa de ser um canal de aquisição e passa a ser o principal canal de vendas. Aí paga 28% por clientes que teriam vindo de qualquer forma.

O teste a fazer em cada trimestre

Exporte do painel da plataforma a lista de encomendas dos últimos 3 meses e conte quantos clientes encomendaram mais de uma vez. Um limiar que justifica agir: 20% de encomendas repetidas.

  • Se as repetições forem frequentes, está a pagar comissão por clientes habituais. É esse o grupo que vale a pena passar para o seu canal.
  • Se quase tudo for pontual, a plataforma funciona realmente como aquisição, mas a conversão em cliente habitual não. O problema está no que vai no saco: nenhum folheto, nenhuma razão para voltar diretamente.

Quatro pontos a verificar no contrato

Antes de fazer contas, confirme estes 4 pontos, que passam facilmente despercebidos:

  1. Se a comissão incide sobre o valor bruto ou líquido. Com IVA a 10%, a diferença é de cerca de 3 pontos percentuais de comissão real.
  2. Se a comissão abrange a taxa de entrega paga pelo cliente. Por vezes, sim.
  3. Quem financia os descontos promocionais. É a origem mais comum da diferença entre a previsão e o pagamento recebido.
  4. Se existe uma cláusula de paridade de preços, isto é, uma proibição de oferecer um preço inferior no seu canal. Se existir, o planeamento das vendas próprias muda.

Reduzir a dependência sem sair

A estratégia sensata não é apagar a conta, mas passar os clientes habituais para o seu canal e deixar a plataforma a captar clientes novos. Há 3 medidas que dão resultado mais depressa:

  • Um código QR para encomendar diretamente em cada saco de comida para levar. Quem já conhece a sua comida encomenda diretamente da vez seguinte.
  • Um preço ou extra disponível apenas no seu canal, quando o contrato o permite. Entrega gratuita acima de um limiar funciona melhor do que um desconto percentual.
  • A sua ementa online com encomendas, ligada ao site, ao Perfil da Empresa no Google e às redes sociais. Sem ela, o cliente não tem onde encomendar diretamente, mesmo que queira.

Organizámos isto num plano de 90 dias: passar encomendas das plataformas para o canal próprio.

Quanto custa o seu canal

Para comparar com os 28% de comissão: as encomendas online no WMenu funcionam sem comissão sobre o valor da encomenda. Paga uma subscrição fixa, independentemente de quanto vende. Com 7.000 € mensais de vendas para entrega, a comissão da plataforma ronda 1.960 €; a subscrição fica duas ordens de grandeza abaixo desse valor.

Isto não torna a plataforma dispensável. Significa que cada encomenda transferida vale o dobro. Detalhes na página de encomendas online e nos preços.

Perguntas frequentes

Que comissão cobram as plataformas de entregas aos restaurantes?

Os intervalos citados publicamente vão de cerca de 13% a 35% do valor da encomenda. A taxa depende da plataforma, do mercado, do pacote e de quem entrega. Com entrega própria, a taxa fica sempre perto do limite inferior.

É possível negociar a comissão?

Sim, sobretudo com maior volume e estafeta próprio. O argumento mais forte numa negociação é ter um canal de vendas próprio a funcionar.

Vale a pena sair das plataformas?

Raramente compensa sair por completo: uma plataforma conquista clientes que não conseguiria de outra forma. O que compensa é transferir os clientes que encomendam regularmente, porque nesses paga comissão sem benefício.

Como calculo o custo real das comissões?

Pegue nas vendas da plataforma do mês passado, multiplique pela taxa de comissão e some o custo dos descontos que financiou. Compare com o custo anual do seu sistema de encomendas: a diferença costuma ser visível ao fim de um mês.

O IVA altera muito o cálculo?

Altera a base, não a conclusão. Com IVA de 19% em vez de 10%, a base líquida diminui e cada ponto percentual de comissão pesa mais em termos reais. Passar os clientes habituais para o seu canal vale então ainda mais.

A comissão é outra conta: a plataforma fatura-a com IVA à taxa normal de 23%, ou o restaurante autoliquida-o quando a fatura vem de outro Estado-membro. No regime normal de IVA, esse imposto é dedutível e não entra no cálculo acima.

- Ainda não tem menu QR?

- Comece depressa e altere a ementa em minutos. Leia o código QR para abrir uma ementa de exemplo.