A comissão das plataformas é o único custo da restauração que cresce na proporção das vendas e não se consegue baixar: nem com compras em volume, nem com uma cozinha mais bem gerida. Quanto melhor corre, mais se paga.
Este artigo não defende que feche a conta Uber Eats. As plataformas trazem encomendas que não teria de outra forma. O que defende é que saiba quanto custam essas encomendas. Sem esse número, não há decisão possível.
Quais são realmente as taxas
As taxas são negociadas caso a caso. Dependem do país, da cidade, do modelo de entrega e da dimensão do estabelecimento. Os intervalos citados publicamente são estes:
| Plataforma | Intervalo de comissão | Notas |
|---|---|---|
| Uber Eats | ~15–33% | tabela publicada para Portugal: 30% com estafeta da Uber, 20% com entrega própria, 15% na recolha; nas encomendas de membros Uber One, 33% e 23% |
| Deliveroo | ~25–35% | modelo semelhante; inferior com estafeta próprio |
| Glovo | ~25–35% | varia bastante consoante o mercado |
| Just Eat Takeaway (Lieferando, Thuisbezorgd) | ~13–30% | o limite inferior aplica-se à entrega própria |
Trate estes valores como ponto de partida para ler o seu contrato, não como uma tabela de preços. A diferença entre o mínimo e o máximo de uma plataforma costuma corresponder a entregar por meios próprios ou usar o estafeta da plataforma.
Acrescem as parcelas que não se chamam comissão, mas reduzem o que sobra:
- processamento de pagamentos: 1–3% do valor da encomenda;
- comparticipação nas promoções: um desconto «−20% na primeira encomenda» costuma ser financiado pelo restaurante, não pela plataforma;
- posicionamento pago: um lugar mais alto na listagem, em teoria opcional;
- taxas de adesão e equipamento para o tablet, únicas ou mensais.
Uma encomenda de 100 €: o que sobra
Um cálculo simplificado de uma encomenda típica com entrega da plataforma, comissão de 28% e IVA de 10%. O IVA das vendas de restauração varia na UE, por isso substitua pela taxa aplicável ao seu caso antes de tirar conclusões:
- Portugal: 13% no continente, 12% na Madeira e 9% nos Açores, tanto à mesa como nas refeições prontas para levar ou com entrega ao domicílio (Lista II do CIVA, verbas 3.1 e 1.8); refrigerantes, sumos, néctares e bebidas alcoólicas pagam a taxa normal, 23% no continente;
- Espanha: 10% à mesa e nas refeições preparadas para levar ou entregar;
- França: 10% no local e nas refeições para consumo imediato levadas ou entregues, 20% no álcool;
- Alemanha: 7% na comida desde 1 de janeiro de 2026, no local e para levar; bebidas a 19%;
- Países Baixos: 9% na comida, 21% no álcool.
| Parcela | Valor |
|---|---|
| Encomenda bruta | 100,00 € |
| IVA 10% | −9,09 € |
| Base líquida | 90,91 € |
| Comissão da plataforma, 28% do bruto | −28,00 € |
| Processamento de pagamentos ~2% | −2,00 € |
| Sobra para cobrir custos | ≈ 60,91 € |
| Custo dos ingredientes, 30% do líquido | −27,27 € |
| Embalagem | −4,00 € |
| Margem bruta desta encomenda | ≈ 29,64 € |
A mesma venda na sala, sem comissão nem embalagem, deixa cerca de 63 €. Uma encomenda de plataforma vale, portanto, aproximadamente metade de uma feita no estabelecimento, com a mesma carga de trabalho para a cozinha.
Se essa encomenda incluir também um desconto de 20% financiado pelo restaurante, a margem bruta desce para cerca de 10 €. A essa altura, a cozinha trabalha só para pagar os custos.
Quando a plataforma ainda compensa
Há situações em que 28% é um bom preço.
- Conquistar um novo cliente. A plataforma é um canal de aquisição. Se 3 das primeiras 10 encomendas voltarem depois pelo canal direto, a comissão dessas 10 foi um custo de marketing, e barato.
- Preencher horas mortas. Terça-feira, 15:00, cozinha parada. Uma encomenda com 30 € de margem é melhor do que nenhuma.
- Não ter logística própria. Contratar um estafeta faz sentido acima de determinado número de encomendas diárias. Abaixo desse limiar, o da plataforma é mais barato.
- Um estabelecimento novo. Antes de as pessoas o conhecerem, a plataforma compra-lhe uma visibilidade que, por esse dinheiro, não teria em mais lado nenhum.
O problema começa quando a plataforma deixa de ser um canal de aquisição e passa a ser o principal canal de vendas. Aí paga 28% por clientes que teriam vindo de qualquer forma.
O teste a fazer em cada trimestre
Exporte do painel da plataforma a lista de encomendas dos últimos 3 meses e conte quantos clientes encomendaram mais de uma vez. Um limiar que justifica agir: 20% de encomendas repetidas.
- Se as repetições forem frequentes, está a pagar comissão por clientes habituais. É esse o grupo que vale a pena passar para o seu canal.
- Se quase tudo for pontual, a plataforma funciona realmente como aquisição, mas a conversão em cliente habitual não. O problema está no que vai no saco: nenhum folheto, nenhuma razão para voltar diretamente.
Quatro pontos a verificar no contrato
Antes de fazer contas, confirme estes 4 pontos, que passam facilmente despercebidos:
- Se a comissão incide sobre o valor bruto ou líquido. Com IVA a 10%, a diferença é de cerca de 3 pontos percentuais de comissão real.
- Se a comissão abrange a taxa de entrega paga pelo cliente. Por vezes, sim.
- Quem financia os descontos promocionais. É a origem mais comum da diferença entre a previsão e o pagamento recebido.
- Se existe uma cláusula de paridade de preços, isto é, uma proibição de oferecer um preço inferior no seu canal. Se existir, o planeamento das vendas próprias muda.
Reduzir a dependência sem sair
A estratégia sensata não é apagar a conta, mas passar os clientes habituais para o seu canal e deixar a plataforma a captar clientes novos. Há 3 medidas que dão resultado mais depressa:
- Um código QR para encomendar diretamente em cada saco de comida para levar. Quem já conhece a sua comida encomenda diretamente da vez seguinte.
- Um preço ou extra disponível apenas no seu canal, quando o contrato o permite. Entrega gratuita acima de um limiar funciona melhor do que um desconto percentual.
- A sua ementa online com encomendas, ligada ao site, ao Perfil da Empresa no Google e às redes sociais. Sem ela, o cliente não tem onde encomendar diretamente, mesmo que queira.
Organizámos isto num plano de 90 dias: passar encomendas das plataformas para o canal próprio.
Quanto custa o seu canal
Para comparar com os 28% de comissão: as encomendas online no WMenu funcionam sem comissão sobre o valor da encomenda. Paga uma subscrição fixa, independentemente de quanto vende. Com 7.000 € mensais de vendas para entrega, a comissão da plataforma ronda 1.960 €; a subscrição fica duas ordens de grandeza abaixo desse valor.
Isto não torna a plataforma dispensável. Significa que cada encomenda transferida vale o dobro. Detalhes na página de encomendas online e nos preços.
Perguntas frequentes
Que comissão cobram as plataformas de entregas aos restaurantes?
Os intervalos citados publicamente vão de cerca de 13% a 35% do valor da encomenda. A taxa depende da plataforma, do mercado, do pacote e de quem entrega. Com entrega própria, a taxa fica sempre perto do limite inferior.
É possível negociar a comissão?
Sim, sobretudo com maior volume e estafeta próprio. O argumento mais forte numa negociação é ter um canal de vendas próprio a funcionar.
Vale a pena sair das plataformas?
Raramente compensa sair por completo: uma plataforma conquista clientes que não conseguiria de outra forma. O que compensa é transferir os clientes que encomendam regularmente, porque nesses paga comissão sem benefício.
Como calculo o custo real das comissões?
Pegue nas vendas da plataforma do mês passado, multiplique pela taxa de comissão e some o custo dos descontos que financiou. Compare com o custo anual do seu sistema de encomendas: a diferença costuma ser visível ao fim de um mês.
O IVA altera muito o cálculo?
Altera a base, não a conclusão. Com IVA de 19% em vez de 10%, a base líquida diminui e cada ponto percentual de comissão pesa mais em termos reais. Passar os clientes habituais para o seu canal vale então ainda mais.
A comissão é outra conta: a plataforma fatura-a com IVA à taxa normal de 23%, ou o restaurante autoliquida-o quando a fatura vem de outro Estado-membro. No regime normal de IVA, esse imposto é dedutível e não entra no cálculo acima.

